Vinil – The Marshall Tucker Band

Participo do mundo internético desde 1996. Confesso para vocês que nem fiquei tão entusiasmado com a internet quando ela passou a fazer parte da minha vida, afinal de contas, era tudo muito novo, mas tudo muito lento: era preciso acessar a rede através de um modem que usava a sua linha telefônica, dava até para ouvir o bichinho discando os números de acesso do provedor como se fosse a sua avó usando um velho telefone de disco.

Downloads? Isso não existia em meados dos anos 90. Cada página demorava um bocado para abrir, faltava agilidade em tudo, enfim, só servia mesmo para trocar e-mails e ver pornografia (sem thumbnails, você clicava no link de uma loira supostamente pelada e aparecia um macado arrepiado).

A vida internética não tinha graça nenhuma a 14,4 kbps. Nem pra sala de bate-papo isso servia. Mas o pior mesmo era a conta do telefone: meia horinha que você gastava num sitezinho vagabundo qualquer já virava um motivo a mais para chorar no final do mês.

discada

A internet passou a desempenhar um papel significativo na minha vida só após o advento da banda larga, em 1999. Downloads já eram possíveis e em pouco tempo o pessoal percebeu que era possível enviar pornografia pelo Power Point (com a conexão discada o pop ficava baixando seus e-mails por meia hora caso algum amigo resolvesse te mandar a Playboy da “Tiazinha” escaneada).

Mas o melhor de tudo não era a pornografia e sim um programinha que alguém da faculdade indicou. Era só fazer o download do programa e ir colocando o nome de bandas que você não ouvia há anos e milagrosamente as músicas dessa banda iam aparecendo numa lista sem fim, num formato de arquivo conhecido como MP3.

Esse programinha se chamava NAPSTER. E foi esse programa que realmente fez uma diferença significativa na minha vida, 10 anos atrás.

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Depois que um filho da p… chamado Shawn Fanning inventou essa merda de Napster, nunca mais dormi direito na vida. Isso mesmo, faz 10 anos que eu não durmo antes da 1 da manhã, pois sempre me lembro de baixar alguma música legal em MP3.

Já cheguei ao cúmulo de estar deitado na cama, quase entrando no “primeiro sono” quando a cabeçona lembra de uma música legal que tocava no seriado tal e aí não tem jeito, o negócio é sair da cama, ligar o computador tudo de novo e sair em busca da maldita música.

O Napster foi mesmo um Deus-nos-acuda: o Lars Ulrich (baterista do Metallica) montou acampamento na porta da empresa para protestar contra essa história do povo baixar MP3 sem pagar direito autoral e chegou até a processá-la.

A indústria fonográfica tentava convencer os audiófilos que o som em MP3 possuía uma qualidade inferior, pois a compressão do arquivo eliminava frequências não audíveis pelo ouvido humano, mas que de alguma forma eram audíveis na cabeça deles e outras baboseiras.

Será que pulava? Ainda mais em São Paulo???

Toca discos em vinil de 1962, para automóveis. Será que a agulha pulava? Ainda mais no asfalto lunar de São Paulo???

O fato é que a qualidade do som não piorava tanto assim, acho até que é imperceptível. Só que depois de quase 15 anos ouvindo CDs e MP3s, a gente se esquece de como era feliz ouvindo os pipocos da agulha no disco de vinil. Lembro também do chiado das fitas cassete, mas isso já é história para outro post.

Melhor do que o Napster, só mesmo o YouTube. Nem me lembro direito de quando o YouTube passou a fazer parte da minha vida, só sei que a possibilidade de poder ouvir e ver músicas e videoclipes foi uma mudança significativa em minha vida.

O YouTube realmente enche o saco depois de algum tempo, mas existem coisas que são extremamente originais e divertidas, apesar de parecerem ser coisas tosquíssimas. Uma delas é ficar vendo disco de vinil girar na pick-up enquanto se ouve a música, com pipoco e tudo mais.

Coisa tosca!

Coisa tosca!

Entrar no Youtube para ouvir e ver um disco de vinil girando a 33 rotações por minuto é uma coisa tão tosca quanto receber uma foto de mulher pelada por e-mail, imprimir e depois passar para seus amigos por fax.

Que é uma coisa tosca ninguém duvida, mas é muito, mas muito legal, por uma série de motivos descritos abaixo:

1- Você não precisa comprar o disco de vinil.
2- Você não precisa pegar o disco de vinil pelas bordas, para não correr o risco de marcar as trilhas com o dedão.
3- Você não precisa de uma estante enorme para guardar seus discos de vinil, pois apesar de finos cada um deles tem 12 polegadas de diâmetro.
4- Você não precisa limpar seus discos de vinil periodicamente com Newness e aquela almofadinha giratória.
5- Você não precisa ficar trocando agulhas e cápsulas do toca-discos.
6- Dá pra ver o miolo do disco girando enigmaticamente, coisa impossível nos CDs.
7- Você pode ouvir obras primas que só foram publicadas em discos de vinil. E que gravadora nenhuma iria querer colocar em catálogo no formato de CD.
Imagine viajar com isso para a praia...

Imagine viajar com isso para a praia...

Entre outras coisas mais… É claro que não vai dar para apreciar as ótimas gravuras que compõe as capas dos discos de 12 polegadas, mas ainda assim é interessante. Nostálgico, no mínimo, me faz até lembrar os bailinhos de garagem onde o disco de vinil do Bon Jovi reinava absoluto.

Para aqueles que apreciam o som do vinil (sem essas baboseiras de pureza do CD e tudo mais), aí fica uma sugestão minha, uma das minhas músicas favoritas: Heard It In A Love Song” música de 1977 do album Carolina Dreams, THE MARSHALL TUCKER BAND.

Isso é southern rock (rock sulista norte-americano) de primeira linha. Quem nunca ouviu aproveite, sai mais barato do que comprar o disco de vinil no sebo.

Espero que gostem. Com o tempo irei publicando mais uns discos de vinil rodando por aqui…

6 Comentários

Arquivado em Música

6 Respostas para “Vinil – The Marshall Tucker Band

  1. Bia

    A unica merda disso tudo é que minha placa de som não está funcionando!

  2. Hugo Miranda

    cara, NAPSTER foi a o melhor programa pra baixar mp3 que já existiu grátis. Kazaa, eMule, Ares, etc… nao chegam nem perto…
    Bons tempos de napster e Pentium II.

  3. Steve McQueen

    Nada se compara ao som de um vinil.

    Bitu… sugestão de post: Porsche 917/30 “Turbo-Panzer”

    Abraços!

  4. Que saudade das madrugadas da época da faculdade, quando não se havia grandes responsabilidades na vida e as madrugadas passavam voando na companhia da banda larga de 300kbps, do ICQ, do Napster e do Winamp.

    Abraços.

  5. DELEGADO SÉRGIO PARANHOS FLEURY FILHO (DOPS)

    Tem algo no som dos (bons) aparelhos de toca-disco que destaca o som em relação aos CD players. Ainda não descobri bem o que é, mas acho que o vinil proporciona um som mais “cheio” principalmente nas frequências baixas. Não quero ser saudosista nem nada do tipo, isso é apenas uma constatação.

  6. Caldeira

    ah… os vinis…
    lembro-me de acordar e ver meu pai lavando seus discos antes e ouví-los, pra tirar a estática… pôr na pick-up com eles ainda um pouco umidos, pra melhorar o som, e táticas do gênero…
    E as capas… as cabeças do secos e molhados… coisas fantásticas…
    Abraços!

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